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domingo, 17 de maio de 2015

PASSOU ALGUÉM






PASSOU ALGUÉM


Será que é saudade... Será que foi você?...É a lembrança do tempo que eu tinha você. Eu não sentia a sua falta, você fazia parte do meu viver.
Na morada dos meus sentimentos, você entrou sem bater na porta, sem pedir licença. Por algum tempo alí ficou em plena harmonia, ouvindo, aprendendo e participando de todas as emoções. O acaso apareceu, separando tudo que havia feito. Por livre e espontânea vontade, saiu da mesma maneira que entrou. Deixou saudade e tristeza.

Álvaro B. Marques

SSA,15.05.201





domingo, 10 de maio de 2015

COISAS DO MEU TEMPO

                                 COISAS DO MEU TEMPO

“Quem conta um conto tem sempre mais conto a contar”. E eu passo este conto para você contar.
O VENDEDOR AMBULANTE – História da vida real. Fatos vivenciados em 1956 em Salvador/Ba.
Chamava-se Sr. José, o sobrenome ignora. Era negro, alto, forte, beirava uns quarenta e mais alguma coisa. Sempre usava terno alvo e sapatos de duas cores, preto e branco. Conversador e muito educado, ele entrava em nossa casa com um grande pacote de “costura do Ceará” assim chamado por ser confecção em bico de renda, famoso por suas qualidades e beleza. Ele era vendedor. Minha tia, chamada “pequena” era a sua revendedora e logo estava eu e meus irmãos em sua volta, para receber as “balas” e beijar a sua mão grande com um reluzente anel de brilhante no dedo, era o que chamava a atenção.
Em cada três meses tínhamos está visita. O Sr. José era negro na cor de feições fina e cabelos lisos e pretos. Passava toda a manhã conosco, sentado no sofá de madeira preta (jacarandá) com encosto e assento de palinha, conversava sobre a viajem da vinda do Ceará e outras histórias dos fatos vividos da sua vida e da vida dos outros. Nós crianças, não pestanejávamos, os olhos bem abertos a ouvir com pousada voz as surpreendentes narrativas, era um mestre.
Sua presença era sempre esperada. Mas, ao decorrer de oito meses, tia pequena ficou preocupada e soube por outra revendedora que o Sr. José “tinha sofrido um acidente e levaram às suas “encomendas” e cortaram o seu dedo do anel. Dias após, deu gangrena na mão e veio a falecer”. Nós aqui não sabíamos se ele tinha família ou parentes. Minha tia ficou chocado, como ela era muito católica, mandou celebrar missa durante hum ano para a sua alma. Ficou em nossa lembrança a figura simpática do Sr. José das costuras, o contador de histórias.


Álvaro B. Marques.