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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

MENINO DE RUA - CONTOS DE LITERATURA DE CORDEL




Ler eu não sabia
Contar só com os dedos
Pedi a um senhor para ler o que dizia
A Manchete do Dia e a voz sorrindo foi falando o que ouvia
Mais uma mariposa que da terra se sumia
O ciúme de Tonico era caso que dizia
Bebidas, mulheres e jogos eram tudo que queria
Olhei para o jornal e vi o rosto da minha mãe.
O fato muito a me doía.
Arranquei o jornal das mãos que o senhor lia
E pus-me, então a correr para onde não sabia.
Entrei no casarão em ruínas sentei no canto escuro para chorar o que sentia
Percorri o labirinto das lembranças
Da perda de minha mãe que tão pouco eu sabia.
No soluço da dor vejo a visão embasada das cenas de convivência.
Ah! Se eu soubesse a falta que faz não tinha me afastado dela.
A dor é maior quando não vê o rosto querido.
A dor passa e lembranças ficam dia a dia.



Batacoto

                            



CANTO DO POETA




Sou poeta sem carteira
Sou poeta a vida inteira
Faço versos
Faço trovas
E lamento na porteira.
Canto mais quando vejo
A beleza da campeira.

 CANTO DA SAUDADE.
Vento  vem vento  vai
Vento  traz saudade de alguém
Murmúrio de sons e fantasias.
Que meche com a gente do passado recente.
Das coisas e lugares não há saudades,
Há lembranças.
A saudade  fica é de alguém.

Batacoto